No episódio da terceira temporada do ERP Summit Podcast, Adrián Durán, head de aplicações da Oracle para a América Latina, discutiu como a Inteligência Artificial está redefinindo a gestão empresarial, acelerando a automação de processos e transformando o papel do ERP dentro das organizações. Durante a conversa, o executivo destacou o avanço das aplicações agentic da Oracle e defendeu que a adoção de IA já deixou de ser tendência para se tornar uma necessidade competitiva imediata.
O episódio contou com a participação de Adrián Durán em um bate-papo conduzido por Dama Roman e Jonathan Santiago, hosts do podcast. Com quase três décadas de trajetória na Oracle, o executivo compartilhou sua visão sobre a evolução da tecnologia empresarial, desde os primeiros projetos de ERP on-premise até o atual cenário de aplicações SaaS e agentes inteligentes integrados aos processos corporativos.
Logo no início da conversa, Durán destacou que o principal desafio das empresas não está mais no acesso à tecnologia, mas na capacidade de adoção. Segundo o executivo, organizações latino-americanas — especialmente brasileiras — possuem forte perfil inovador, mas ainda enfrentam barreiras culturais para padronizar processos e incorporar modelos tecnológicos mais escaláveis. Na prática, a migração para cloud e a adoção de IA exigem menos customização e maior abertura para utilizar melhores práticas já embarcadas nas plataformas.
Outro ponto central do episódio foi a transformação do ERP em um modelo orientado a resultados. Segundo Durán, os sistemas de gestão deixam de atuar apenas como registradores de processos para se tornarem plataformas capazes de gerar outcomes de negócio. Nesse cenário, agentes inteligentes passam a interagir entre si para propor ações, automatizar tarefas e apoiar decisões estratégicas em tempo real. A mudança, segundo ele, altera desde a operação do usuário até a própria lógica de utilização dos sistemas corporativos.
Durante a conversa, o executivo também aprofundou o conceito de “Fusion Agentic Applications”, novo modelo da Oracle voltado à automação inteligente de processos empresariais. Diferente das primeiras aplicações de IA focadas apenas em produtividade operacional, a nova abordagem utiliza múltiplos agentes para atuar de forma colaborativa na execução de objetivos de negócio. Segundo Durán, a tecnologia permite que empresas automatizem análises financeiras, aprovações, negociações com fornecedores, processos de RH e jornadas completas de operação com maior autonomia e inteligência contextual.
A aplicação prática da IA em áreas como recursos humanos, supply chain e finanças também ganhou destaque no episódio. No RH, por exemplo, Durán explicou como agentes inteligentes já auxiliam na análise de currículos, identificação de perfis aderentes e automação de etapas de recrutamento. Segundo ele, a Oracle conseguiu reduzir em 33% o tempo de contratação em alguns processos internos. Já em supply chain, os agentes atuam na recomendação de fornecedores, análise de riscos e definição de estratégias de sourcing com base em dados e padrões operacionais.
Outro tema abordado foi a mudança no papel dos executivos diante da IA embarcada nas aplicações de gestão. Para Durán, CFOs, CIOs e líderes empresariais precisarão desenvolver maior confiança em modelos automatizados e se adaptar a uma nova dinâmica operacional. O executivo citou casos em que processos de fechamento financeiro passaram de oito dias para cerca de um dia e meio com apoio de automação inteligente e agentes analíticos capazes de sugerir ajustes e gerar relatórios automaticamente.
Ao falar sobre maturidade digital, Durán afirmou que empresas menos digitalizadas podem, paradoxalmente, obter ganhos ainda mais rápidos com IA. Segundo ele, organizações que saem de processos manuais para aplicações inteligentes conseguem dar saltos relevantes em eficiência operacional, escalabilidade e inovação. Nesse contexto, o executivo reforçou que esperar pela “hora certa” para adotar IA pode representar perda de competitividade em um mercado cada vez mais acelerado pela automação.
Encerrando o episódio, Adrián Durán afirmou que a Inteligência Artificial tende a se tornar parte invisível e integrada das operações corporativas, assim como ocorreu anteriormente com a internet e os aplicativos móveis. Para ele, o futuro das soluções de gestão passa por plataformas capazes de executar objetivos de negócio com mínima intervenção operacional, potencializando o trabalho humano em vez de substituí-lo.
O episódio completo do ERP Summit Podcast pode ser assistido no YouTube:


