O uso de inteligência artificial nas empresas cresce em ritmo acelerado e já faz parte da rotina de organizações em diferentes setores. Levantamento da consultoria McKinsey mostra que 55% das empresas no mundo utilizam IA em pelo menos uma área do negócio. Ao mesmo tempo, relatório da IBM Security aponta que o custo médio global de uma violação de dados chegou a US$ 4,45 milhões.
A combinação entre adoção rápida e falta de governança tem ampliado a produtividade corporativa, mas também levantado alertas sobre riscos invisíveis ligados ao uso da tecnologia.
Hesron Hori, especialista em segurança digital e sócio e diretor de Risk Assessment da Under Protection, afirma que a expansão da IA dentro das empresas tem ocorrido de forma muitas vezes informal. “A tecnologia entrou no dia a dia das equipes antes mesmo de muitas organizações criarem regras claras para o uso. Isso significa que dados sensíveis podem estar sendo inseridos em plataformas externas sem qualquer controle corporativo”, explica.
Ferramentas de inteligência artificial passaram a ser usadas para análise de dados, elaboração de relatórios, atendimento a clientes e automação de tarefas administrativas. O ganho de eficiência é evidente, mas muitas empresas não sabem exatamente quais informações estão sendo compartilhadas por colaboradores nessas plataformas.
Para Hori, a tecnologia traz benefícios claros quando utilizada com estratégia. “A inteligência artificial pode reduzir tempo de execução de tarefas, aumentar a capacidade analítica das equipes e melhorar processos de decisão. O problema surge quando a adoção acontece sem política de governança e sem análise de risco”, afirma.
Outro fator de atenção envolve a qualidade das decisões geradas por sistemas automatizados. Modelos treinados com bases de dados incompletas ou enviesadas podem produzir análises distorcidas e influenciar decisões corporativas. Além disso, a exposição involuntária de documentos internos pode comprometer informações estratégicas.
Segundo o especialista, muitas empresas ainda não perceberam que o valor real está nos dados que acumulam. “Hoje, o ativo mais sensível de muitas organizações não é apenas o sistema ou a tecnologia, mas o conjunto de dados que elas produzem e armazenam. Quando esses dados começam a circular sem controle, o risco deixa de ser apenas tecnológico e passa a ser estratégico”, diz.
Especialistas em segurança digital afirmam que a adoção de IA precisa ser acompanhada por práticas estruturadas de gestão de risco. Sem esse cuidado, a tecnologia pode gerar ganhos operacionais no curto prazo, mas abrir brechas relevantes para exposição de dados e falhas de governança.
Cinco cuidados para usar IA sem comprometer a segurança dos dados nas empresas
O uso de inteligência artificial pode ampliar produtividade e inovação nas empresas, mas exige disciplina e planejamento. Especialistas apontam que algumas práticas ajudam a reduzir riscos e aumentar o retorno da tecnologia dentro das organizações:
Criar uma política corporativa de uso de IA
Antes de liberar o uso de ferramentas de inteligência artificial, a empresa precisa definir regras claras sobre quais plataformas podem ser utilizadas e quais tipos de informação podem ser compartilhados;
Classificar e proteger dados estratégicos
Informações financeiras, dados de clientes e documentos internos precisam ser identificados como ativos sensíveis e protegidos contra compartilhamento indevido em plataformas externas;
Avaliar fornecedores e plataformas de IA
Antes de contratar soluções de inteligência artificial, é importante analisar políticas de privacidade, certificações de segurança e localização dos servidores utilizados pelos fornecedores;
Monitorar o uso da tecnologia dentro da empresa
Ferramentas de governança e segurança digital ajudam a identificar quais sistemas estão sendo utilizados pelos colaboradores e quais dados estão sendo processados;
Realizar análise contínua de riscos digitais
Mapear vulnerabilidades em tecnologia, processos e comportamento humano permite identificar brechas antes que elas se transformem em incidentes relevantes.
Para Hori, empresas que tratam a inteligência artificial apenas como ferramenta de produtividade tendem a ignorar sua dimensão estratégica. “A tecnologia precisa ser incorporada à governança digital da organização. Quem fizer isso conseguirá capturar ganhos de eficiência sem comprometer a segurança do negócio”, conclui.
Na avaliação do especialista, a inteligência artificial tende a se tornar uma das principais ferramentas de transformação empresarial nos próximos anos. O desafio das organizações será equilibrar inovação com controle, criando estruturas capazes de aproveitar o potencial da tecnologia sem expor dados estratégicos ou comprometer a continuidade das operações.




