Como escalar a gestão de riscos de parceiros com agentes de IA?

Modelo contínuo e orientado por dados ganha espaço diante da complexidade crescente na relação com fornecedores e parceiros

Como escalar a gestão de riscos de parceiros com agentes de IA?

Caciporé Valente, CEO da Netrin

O modelo tradicional de gestão de riscos de terceiros já não acompanha a complexidade das cadeias de relacionamento atuais.  

Baseado, em grande parte, em análises manuais, processos fragmentados e verificações pontuais, ele cria gargalos operacionais, limita a escalabilidade e amplia a exposição a riscos, especialmente em empresas com grande volume de fornecedores, clientes e parceiros. 

Esse cenário tem impulsionado uma mudança estrutural na forma como as organizações lidam com riscos. Em ambientes cada vez mais dinâmicos, a gestão deixa de ser episódica e passa a exigir continuidade, inteligência e capacidade de escala. 

Essa transformação ganhou destaque no ERP Summit, que reuniu especialistas e líderes para discutir tendências e inovação em tecnologia corporativa.  

Durante o evento, Caciporé Valente, CEO da Netrin, apresentou a palestra “Como escalar a gestão de riscos de terceiros com IA agêntica”, abordando na prática como a inteligência artificial pode redefinir esse processo dentro das empresas. 

Segundo o executivo, o primeiro passo não está na tecnologia, mas na maturidade. “Antes da automação, vem a maturidade. Os pilares básicos para essa evolução são processos definidos, documentação sobre regras de risco e suporte adequado de tecnologia”, afirmou. 

Da checagem pontual à gestão contínua 

A evolução proposta passa por abandonar o modelo centrado apenas no onboarding e adotar uma gestão de riscos ao longo de todo o ciclo de vida do terceiro, com o apoio de agentes de IA.  

Isso inclui desde a entrada até o encerramento da relação, com processos estruturados como onboarding com validação automatizada de dados, due diligence escalável e estruturada, monitoramento contínuo de riscos, etc.

A proposta da IA agêntica é atuar como uma camada de orquestração desses processos, conectando dados, automatizando decisões e garantindo consistência operacional. 

O papel da maturidade na adoção de IA 

Apesar do avanço das tecnologias, muitas iniciativas de automação ainda não atingem o resultado esperado. O motivo, segundo Caciporé, está no baixo nível de maturidade das organizações. 

Automação não resolve processos inexistentes ou mal definidos. Na prática, apenas processos maduros, com regras claras, documentação estruturada e uso consistente de tecnologia, podem ser escalados com inteligência artificial. 

Nesse contexto, agentes de IA dependem diretamente da qualidade dos processos que sustentam sua operação. Sem isso, há risco de gerar decisões inconsistentes ou ganhos operacionais limitados. 

Ao integrar processos, dados e automação, a IA agêntica deixa de ser apenas uma promessa e passa a atuar como um motor de eficiência, governança e tomada de decisão.