Até 2028, 25% das empresas enfrentarão significativa insatisfação com a adoção de nuvem, impulsionada por expectativas irrealistas, implementações falhas e custos descontrolados. A previsão do Gartner ressalta um problema central: a migração superficial, ou "lift and shift", que consiste em mover sistemas para a nuvem sem a devida adaptação. Para Dennys Cabrerizo, gerente técnico de arquitetura da Dedalus, essa abordagem apenas "muda o problema de endereço", perpetuando ineficiências e impedindo o verdadeiro potencial da tecnologia.
“Levar sua empresa para a nuvem sem antes modernizar os sistemas é um desperdício significativo de investimento. A modernização das aplicações é fundamental para atingir a verdadeira transformação digital, criando estruturas ‘Born in Cloud’ – concebidas e otimizadas desde o início para o ambiente de nuvem. Somente assim é possível gerar resultados financeiros concretos e mensuráveis”, afirma Cabrerizo.
Caminhos possíveis
Líderes que buscam maximizar o retorno de seus investimentos na nuvem têm dois caminhos principais de modernização. O primeiro, e menos complexo, é o Replatform, que envolve a substituição de componentes legados por serviços gerenciados nativos da nuvem. Um exemplo é trocar um banco de dados que demanda manutenção constante por um serviço automatizado, otimizando recursos.
O segundo caminho, mais disruptivo, é o Refactor. Esta abordagem implica em redesenhar partes da aplicação para um funcionamento otimizado, eliminando desperdícios e preparando-a para escalar eficientemente. Um exemplo prático: um site WordPress pode ver seu custo mensal cair de US$ 600 para apenas US$ 80 após o Refactor, ao separar aplicação, banco de dados e arquivos estáticos.
IA e plataformas internas aceleram a modernização
A modernização de sistemas, antes um projeto complexo e custoso, está sendo revolucionada por novas tecnologias. Cabrerizo enfatiza o potencial da Inteligência Artificial como uma "tradutora" de código, apta a converter linguagens de programação legadas em código moderno, otimizado para a nuvem. Isso torna viável a renovação de sistemas antes considerados intocáveis.
Outra tendência crescente é a adoção de Plataformas de Desenvolvimento Internas (IDPs), que atuam como verdadeiras “esteiras de produção” de software. Elas fornecem aos desenvolvedores rotas padronizadas e seguras, assegurando que as novas aplicações já nasçam otimizadas e acelerando o ciclo de inovação da empresa.
“A transformação genuína é, acima de tudo, cultural e impulsionada pela automação. Ao abandonar processos manuais e abraçar uma mentalidade focada em automação, segurança e colaboração, o departamento de TI transcende seu papel de centro de custo, tornando-se um motor essencial para o crescimento e a diferenciação competitiva no mercado”, conclui o especialista.




