
O Open Finance para empresas (PJ) avança rapidamente no Brasil. Neste ano, o ecossistema ultrapassou 1,04 milhão de consentimentos de pessoas jurídicas, segundo dados oficiais do Open Finance Brasil, o que representa um crescimento de aproximadamente 35% em relação ao início do semestre.
Porém, esse avanço não ocorre de maneira uniforme entre os diferentes portes de negócio. As PMEs despontam como o segmento que mais rapidamente transforma esse recurso em ganhos reais dentro dos ERPs, enquanto grandes empresas ainda esbarram em barreiras que dificultam a adoção plena.
Esses desafios influenciam diretamente a capacidade dos ERPs de entregar automação financeira confiável, consolidada e contínua para sua base de clientes.
Consentimento é o principal obstáculo para grandes empresas
Embora o Banco Central tenha priorizado a pauta de autenticação em múltipla alçada, a experiência do consentimento permanece fragmentada. Cada banco opera seu próprio fluxo, que pode envolver redirecionamentos sucessivos, uso de token físico ou reinícios de autenticação.
Para empresas de grande porte, que dependem de múltiplos aprovadores, essa falta de padronização cria fricção significativa. Um mesmo processo de autorização pode precisar ser repetido diversas vezes por diferentes gestores, o que gera atrasos, desistências e baixa percepção de valor.
Essa complexidade impacta diretamente os ERPs voltados ao mercado corporativo, que dependem de uma jornada fluida para habilitar automações de conciliação, fluxo de caixa e rotinas contábeis integradas.
Além disso, problemas como divergências entre dados exibidos no extrato e dados enviados pela API seguem exigindo tratamento adicional para garantir consistência dentro dos sistemas de gestão.
Por que o Open Finance funciona melhor para PMEs
Enquanto as grandes corporações enfrentam fluxos mais rígidos, as PMEs conseguem ativar o Open Finance de forma simples e rápida. Isso ocorre porque:
• normalmente há apenas um sócio ou poucos aprovadores, o que acelera o consentimento;
• a jornada é curta e com menos pontos suscetíveis a erro;
• os benefícios aparecem imediatamente no ERP, com conciliação automática, dados padronizados e visão consolidada do caixa.
Para uma PME com contas em vários bancos, o impacto é direto. Em vez de baixar e tratar manualmente arquivos OFX diariamente, ela passa a receber no ERP um extrato atualizado automaticamente a cada nova movimentação bancária.
Esse ganho operacional tem impulsionado o uso do Open Finance justamente no segmento que mais depende de simplicidade e eficiência para manter a saúde financeira do negócio.
Case MarketUP: automação financeira como pilar para melhorar a experiência das PMEs
A experiência da MarketUP, um dos ERPs mais utilizados por pequenos negócios no país, reforça essa tendência. A empresa identificou que muitos usuários ainda realizavam conciliações de forma manual ou enfrentavam inconsistências que geravam retrabalho. Para esse público, o ponto central não era apenas acessar dados bancários, mas simplificar sua rotina de caixa.
Com esse objetivo, a MarketUP buscou aprimorar a experiência de conciliação e adotou uma infraestrutura de Open Finance mais estável e padronizada. Isso permitiu entregar aos usuários dados bancários atualizados automaticamente e com maior consistência entre instituições, reduzindo etapas manuais e erros frequentes.
Segundo a empresa:
“Com a Pluggy, conseguimos oferecer conciliação bancária integrada ao nosso ERP, facilitando a rotina financeira de milhares de PJs com dados confiáveis, direto na plataforma que eles já usam no dia a dia.”
Após a mudança, a MarketUP observou um aumento significativo nas ativações do recurso, mostrando que, quando a jornada é simples e o dado é confiável, as PMEs rapidamente incorporam automação no seu fluxo financeiro.
O case evidencia o papel crescente dos ERPs como ponto central da operação financeira das empresas, e não apenas como sistemas de registro.
ERPs entram em uma nova fase
Com a evolução dos fluxos regulatórios e a padronização entre bancos, o Open Finance é o dado nativo dos ERPs. Esses sistemas passam a atuar como hubs financeiros das empresas, oferecendo dados bancários estruturados, integrados e aptos para automação.
O passo seguinte: embedded finance dentro dos ERPs
O avanço do Open Finance abre caminho para uma transformação ainda maior: a consolidação do embedded finance.
À medida que os dados bancários se tornam acessíveis, padronizados e atualizados dentro do ERP, o próprio sistema passa a ser o ambiente natural para a oferta de serviços financeiros integrados.
Para as PMEs, isso significa concentrar gestão e finanças em um mesmo lugar, eliminando ferramentas paralelas e ampliando eficiência operacional.
Para os ERPs, representa a oportunidade de lançar novos produtos monetizáveis. O sistema deixa de ser um registro e passa a ser uma plataforma capaz de incorporar serviços financeiros nativos, como ofertas de crédito pré-aprovadas ou a criação de um hub de pagamentos.
O movimento já começou, e o Open Finance PJ é o catalisador dessa nova fase.



