Guto Fragoso, CFO da Kamino - Foto: Divulgação
A complexidade fiscal brasileira é até dez vezes maior que a americana, segundo um comparativo entre os sistemas de gestão (ERP) utilizados no Brasil e nos Estados Unidos, realizado pela plataforma de gestão financeira Kamino.
Enquanto o ERP americano é voltado principalmente à contabilidade gerencial e à emissão de relatórios para tomada de decisão, o modelo brasileiro precisa funcionar como um verdadeiro sistema fiscal, responsável por apurar impostos, gerar declarações e se comunicar com o governo em tempo real.
Nos Estados Unidos, as empresas apenas preenchem e enviam formulários periódicos — como o Form 1120, do imposto de renda corporativo —, e só prestam esclarecimentos adicionais se forem selecionadas para auditoria do IRS, a receita federal americana. Já no Brasil, cada operação comercial gera obrigações acessórias, cruzamentos automáticos de dados e emissão de documentos eletrônicos, como NF-e e SPED. “Diante desse cenário, um mesmo software que atende bem ao contexto americano precisa ter mais que o dobro de complexidade para operar no Brasil”, comenta o CFO da Kamino, Guto Fragoso.
Segundo Fragoso, o ERP brasileiro não é apenas um software contábil, mas um sistema fiscal completo. “Ele precisa calcular, apurar e transmitir informações de forma integrada e constante. Essa exigência eleva o custo e a complexidade da operação, especialmente para as médias empresas”, pontua o executivo.
Essa diferença estrutural entre os países cria tanto obstáculos quanto oportunidades. “A complexidade do sistema tributário brasileiro é um desafio diário, mas também um motor de inovação. É por causa dela que o país se tornou um dos mercados mais avançados do mundo em automação e digitalização de processos financeiros”, avalia.
O executivo destaca ainda que o ambiente brasileiro exige que as companhias adotem ferramentas de gestão que combinem eficiência operacional, controle em tempo real e inteligência analítica.
“As médias empresas, em especial, precisam de soluções que reduzam o retrabalho e liberem o gestor para tomar decisões estratégicas. Quando a tecnologia assume tarefas operacionais, o financeiro deixa de ser um centro de custo e passa a ser um motor de crescimento”, complementa. “Simplificar é essencial para o crescimento do país. Quando a tecnologia reduz a complexidade, o resultado é mais tempo para inovar, investir e gerar empregos”, resume Fragoso.




