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Do "SaaSpocalipse" a um novo "SaaSnascimento"

Zoho analisa como a IA está a reconfigurar o software empresarial

Do "SaaSpocalipse" a um novo "SaaSnascimento"
2026-04-28

A irrupção da inteligência artificial no ecossistema do software empresarial alimentou nos últimos meses uma narrativa de crise para o modelo SaaS. Grandes empresas do setor registaram quedas bolsistas entre 45% e 70% no último ano, e o debate sobre a viabilidade do Software como Serviço num ambiente dominado por agentes autónomos e crescentes exigências regulatórias ganhou força sob o termo "SaaSpocalipsis". Face a esse diagnóstico, a Zoho oferece uma leitura diferente: a inteligência artificial não está a substituir o software empresarial, mas a deixar a nu as limitações dos sistemas fragmentados sobre os quais operam hoje muitas organizações.

O contexto de fundo sustenta a urgência do debate. Segundo dados do Eurostat, 20% das empresas europeias já utilizam inteligência artificial na sua operação diária, mais 6,5 pontos percentuais do que em 2024. Portugal situa-se nessa média, longe de países como a Dinamarca, onde o índice atinge os 42%, ou a Finlândia, com 37,8%. Em paralelo, 52,7% das empresas europeias já utilizam serviços cloud pagos, com especial procura em soluções ligadas ao escritório, finanças e faturação. Esta aceleração reduziu drasticamente os tempos de desenvolvimento: tarefas que antes levavam meses completam-se agora em dias.

Neste cenário, a Zoho — empresa tecnológica global com mais de 55 aplicações na nuvem com capacidades de inteligência artificial integradas — considera que o verdadeiro problema não é a IA em si, mas os ambientes sobre os quais é implementada. Uma previsão da Gartner aponta na mesma direção: 40% dos projetos de IA agêntica desaparecerão antes de 2027 por terem sido desenvolvidos sobre sistemas fragmentados e desconectados.

Face ao "SaaSpocalipsis", a Zoho defende que está a emergir aquilo a que chama um "SaaSnacimento": uma nova fase na evolução do modelo SaaS para arquiteturas mais coerentes e integradas, onde dados, processos e capacidades de inteligência artificial operam de forma coordenada. As organizações, segundo esta leitura, estão progressivamente a abandonar os ambientes fragmentados em busca de maior controlo e coerência dos dados.

Sridhar Iyengar, diretor-geral da Zoho na Europa, descreve o momento atual como "um profundo processo de realinhamento" para a indústria do software. Na sua opinião, a inteligência artificial "não está a substituir o SaaS", mas a evidenciar "as limitações dos sistemas fragmentados". Iyengar situa a próxima fase do setor em torno de três eixos: "arquiteturas mais sólidas e coerentes, o controlo dos dados e a capacidade de integrar a IA em contextos reais de negócio, cumprindo também as crescentes exigências regulatórias e de soberania dos dados".

A Zoho identifica cinco fatores que marcarão esta nova etapa. O primeiro é a transição da proliferação de ferramentas para a coerência de sistemas: o valor já não reside em incorporar mais aplicações, mas em estruturar e governar o conjunto como um todo. O segundo é o papel da inteligência artificial como acelerador e não como solução isolada; sem uma base sólida de dados e processos, a IA pode amplificar ineficiências em vez de as resolver. O terceiro é a arquitetura como elemento estratégico diferenciador, que permite às organizações manter o controlo e reduzir riscos operacionais. O quarto aponta para a seleção de soluções capazes de oferecer capacidades de IA integradas no contexto real do negócio, afastando-se de modelos generalistas e apostando numa abordagem de "IA ajustada ao caso de uso". O quinto é a regulação e a soberania dos dados por design, integrando o cumprimento normativo na própria arquitetura do software.

Esta transformação está também a reconfigurar o perfil dos programadores. Longe de desaparecerem, o seu papel evolui para posições mais próximas do negócio, com maior responsabilidade na definição de casos de uso, na compreensão do contexto operacional e na garantia de que os sistemas funcionam de forma fiável em ambientes reais. A crescente complexidade tecnológica e regulatória reforça, segundo a Zoho, a importância destes perfis híbridos, capazes de combinar conhecimento técnico com uma compreensão profunda dos processos empresariais.

Iyengar insiste em que "para obter o verdadeiro valor da IA, as organizações devem ir além da experimentação e repensar a forma como desenham e governam os seus ambientes tecnológicos", passando de arquiteturas fragmentadas para sistemas integrados onde dados, processos e capacidades de inteligência artificial operam de forma coordenada e controlada. Em suma, a coerência, o controlo e a adaptabilidade a longo prazo afirmam-se como as bases sobre as quais construir uma adoção eficaz e sustentável da inteligência artificial no software empresarial.

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