Reforma tributária traz custos silenciosos para empresas que postergam adaptação
IBS, CBS e split payment chegam para transformar não só os impostos, mas a lógica inteira da gestão fiscal nas empresas. Quem não atualizar seus sistemas vai pagar muito mais
Decio Krakauer, co-CEO da Ramo
O Brasil atravessa, desde 2024, uma das maiores transformações do seu sistema tributário em décadas. A reforma tributária não é apenas uma mudança de alíquotas ou substituição de siglas, ela representa uma reconfiguração estrutural da relação entre as empresas e o fisco. E, como toda grande mudança, carrega embutida uma pergunta que poucos gestores estão fazendo com a seriedade necessária: quanto vai custar não se preparar?
A resposta é mais complexa do que parece. Porque o custo não está só na carga tributária em si. Está na falta de visibilidade, no despreparo dos sistemas, no retrabalho e, em casos extremos, na inviabilidade do próprio modelo de negócio. Empresas que hoje operam em equilíbrio fiscal podem se ver em situação crítica não porque os impostos aumentaram em termos absolutos, mas porque sua estrutura não está preparada para absorver uma mudança desta magnitude.
O que está mudando e por que importa agora
Com a introdução do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), o Brasil passa a operar com um modelo mais próximo do IVA europeu: um imposto sobre valor agregado, com crédito ao longo da cadeia produtiva. Parece simples na teoria. Na prática, exige que os sistemas de gestão sejam capazes de calcular, registrar e reportar essas operações de uma forma completamente diferente do que fazem hoje.
Além disso, mecanismos como o split payment, em que o imposto é recolhido automaticamente no momento da transação, sem passar pelo caixa da empresa, alteram o fluxo de caixa e exigem integração em tempo real entre os sistemas das empresas e as plataformas do fisco. Isso não é uma atualização de cadastro. É uma mudança de arquitetura.
Decio Krakauer, co-CEO da Ramo, empresa especializada em soluções SAP para gestão empresarial, tem alertado executivos e gestores sobre um risco ainda subestimado: o gap entre a chegada das novas regras e a capacidade dos sistemas atuais de processá-las. Para ele, a discussão não pode ficar restrita ao departamento fiscal, ela precisa chegar à mesa de tecnologia e à liderança das empresas. "Não são só dois impostos que estão entrando. São dois impostos e uma forma tributária diferente de se pensar o mundo. Para algumas empresas que se prepararem bem, vai ter planejamento tributário muito interessante, vai simplificar; para outras, pode inviabilizar até o negócio.", explica Decio.
A análise de Krakauer destaca um ponto central: a reforma tributária não terá impacto uniforme entre as empresas. Ela vai criar vencedores e perdedores e o que vai separar um grupo do outro não é o setor ou o tamanho, mas o nível de preparo. Empresas que usarem esse momento para reorganizar sua estrutura fiscal, com suporte de tecnologia adequada, podem encontrar na reforma uma oportunidade real de planejamento e simplificação. As que esperarem, vão correr contra o tempo em condições piores.
O papel dos sistemas de gestão nessa transição
O ponto de ação está nos ERPs. Soluções como SAP Business One e SAP Cloud ERP já estão sendo preparadas para absorver as mudanças da reforma com funcionalidades de apuração de IBS e CBS, suporte ao split payment e integração com os ambientes fiscais digitais. Mais do que isso: com inteligência artificial embarcada e capacidade de análise de dados em tempo real, essas plataformas permitem que as empresas não apenas cumpram as novas obrigações, mas tomem decisões fiscais com mais inteligência.
Atualizar o ERP, nesse contexto, deixa de ser uma tarefa de TI e passa a ser uma decisão estratégica com prazo. Cada mês de atraso é um mês a menos para testar, ajustar e treinar equipes e um mês a mais de risco operacional quando as novas regras entrarem em vigor de forma plena.
O que muda com a reforma e impacta seus sistemas:
IBS e CBS substituem tributos atuais com nova lógica de apuração e crédito
Split payment altera o fluxo de recolhimento diretamente na transação
Sistemas de ERP precisam calcular, registrar e reportar em tempo real
Empresas bem-preparadas podem acessar oportunidades de planejamento tributário
Empresas despreparadas enfrentam risco de inviabilidade operacional e financeira
Para Krakauer, todo gestor não deveria estar respondendo "quando vou precisar me adaptar?", e sim "o que a minha empresa perde a cada mês que passa sem estar preparada?"